Você consegue mesmo usar seu celular? Até que ponto?

A questão da usabilidade de celulares tem sido cada vez mais assunto de pesquisas nos mais variados níveis, começando a ser mencionada explicitamente na imprensa. Embora sempre seja vista como algo que afeta apenas aos usuários, a usabilidade é também uma questão séria de marketing para operadoras de telefonia. O argumento é simples: cliente com dificuldade no uso do celular não consome serviços de valor agregado.

Em suas pesquisas sobre as implicações da cultura na usabilidade de interfaces gráficas digitais, Vanessa EVERS, 2002 tanto confirmou a existência de diferenças no entendimento de símbolos entre os grupos culturais, como percebeu limitações na utilização das variáveis culturais como a de Hofstede, por exemplo. As limitações percebidas não invalidam os esforços feitos até o momento. Na verdade, elas apontam possíveis caminhos para futuros trabalhos nessa área de investigação.

O problema em utilizarmos conceitos de cultura do ponto de vista projetual, seja para avaliação (aspectos a mensurar) ou no design de interfaces (metas a atingir) é sua complexidade. Do ponto de vista prático, no dia-a-dia do ambiente de desenvolvimento, torna-se necessária uma operacionalização da cultura.

Como conseqüência do trabalho de Geert Hofstede, que propôs seu modelo de cinco dimensões culturais como uma forma de operacionalizar o conceito de cultura, diversos autores envolvidos com usabilidade e design de interfaces passaram a ter uma base sobre a qual trabalhar. Diferentes abordagens são encontradas, desde a tentativa de uma outra operacionalização como o uso das dimensões culturais de Hofstede na avaliação de interfaces Web.

A norma ISO 9241–11 prevê definições para efetividade, eficiência e satisfação. Satisfação e o contexto de uso, também presente na norma, estão direta e indissociavelmente ligados à noção de cultura. As questões que ficam, então, são: qual definição de cultura utilizar? Como medir e utilizar esse conceito em projetos de design?