Em suas pesquisas sobre as implicações da cultura na usabilidade de interfaces gráficas digitais, Vanessa EVERS, 2002 tanto confirmou a existência de diferenças no entendimento de símbolos entre os grupos culturais, como percebeu limitações na utilização das variáveis culturais como a de Hofstede, por exemplo. As limitações percebidas não invalidam os esforços feitos até o momento. Na verdade, elas apontam possíveis caminhos para futuros trabalhos nessa área de investigação.

Embora talvez seja possível tornar operacional o complexo conceito de cultura, permitindo sua utilização objetiva na avaliação e projeto de interfaces gráficas digitais, sua internacionalização/localização e o completo atendimento a normas como a ISO 9241-11, duas questões se colocam imediatamente:

• Num ambiente em que as interações pessoais são cada vez mais intensas e freqüentes, inclusive envolvendo pessoas distantes, é fundamental levar em consideração a influência dessas interações no desenvolvimento das culturas (influências entre indivíduos e destes com o ambiente, numa rede de significados, como quer Clifford Geertz);

• Dado o caráter dinâmico da cultura (acelerado pela intensificação das interações) é questionável se o resultado de pesquisas como a de HOFSTEDE, mesmo que representem suficientemente traços culturais significativos, ainda se mostrem atuais.

O desenvolvimento de pesquisas como as empreendidas por Evers levam a crer que o modelo proposto por Hofstede tende a ser alterado. Outros autores recentes, entre eles Fons Trompenaars, holandês como Hofstede e Evers, têm feito tentativas no sentido de produzir novas descrições operacionais de características culturais. Mesmo estas, já empregadas por Evers, têm se mostrado insuficientes (EVERS, 2002).

Referências Bibliográficas

BARBER; BADRE Albert N. Culturability: The Merging of Culture and Usability . 4th conference on Human Factors and the web. Basking Ridge, NJ, USA. http://www.cc.gatech.edu/gvu/people/albert.badre/abstracts.html. 1998

BOUDON, Raymond (org.). Tratado de Sociologia . Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1995

BOURGES-WALDEGG, P. SCRIVENER, S.A. Meaning, the central issue in cross-cultural HCI Design , Interacting with Computers, Special Issue: Shared values and Shared Interfaces, 9, 3, 1998; 287-309.

EVERS, van DAM, ARTS. Cross cultural understanding of graphical elements on the DirectED website . In Smith, A. (Ed) Proceedings of Annual Workshop on Cultural Issues on HCI. 5 December 2001, Putteridge Bury, University of Luton . 2000

EVERS, V. Cross-Cultural Applicability of User Evaluation Methods: A Case Study amongst Japanese, North American, English and Dutch Users . Proceedings CHI 2002, Minneapolis , April 15-20.

ISO 9241-11. Ergomonic Requirements for Office Work with Visual Display Terminals (VDTs) / Part 11 – Guidance on usability. 1998

JOHNSON, Steven. Cultura da Interface . Jorge Zahar Editor

MARCUS, Aaron; GOULD, Emilie W. in: 6th Conference on Human Factors and the Web. 2000, Austin , Texas . Cultural Dimensions and Global Web User-Interface Design: What? So What? Now What?

MILLÁN, Tomás Austin. El problema de definir la cultura: Los cambios de significados de la cultura antropológica desde la Antropología Social hasta Clifford Geertz . http://galeon.com/tomasaustin/definicion/definicion.htm visitado em 08/12/2004.

TROMPENAARS, Fons. Nas Ondas da Cultura . São Paulo: Educador, 1994.